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Um tratamento em que o principal remédio é o amor.
O cirurgião bucomaxilofacial Manuel Feijão, conhecido simplesmente como Dr Feijão,
Desenvolve um trabalho de humanização
no atendimento do Hospital Walfredo Gurgel.
Ele percorre os corredores, o setor de pediatria e as UTIs do hospital levando,
através da música,
um pouco de conforto a pacientes com traumatismos ou doenças graves.
Acompanhado de seu violão e do pandeiro, Dr Feijão também procura levar palavras
de carinho aos pacientes durante os plantões que realiza
pelo menos duas vezes por semana.
A idéia de adotar a musicoterapia no Walfredo Gurgel começou há oito anos,
quando o cirurgião ouviu um paciente tocando violão.
Tratava-se de uma pessoa que tinha as duas pernas amputadas
devido a um acidente automobilístico.
“Às vezes reclamamos de coisas tão pequenas e vemos alguém numa situação
como essa”, disse Dr Feijão. Comovido com a situação do paciente, o cirurgião,
na mesma hora, pegou o violão e começou a tocar junto ao rapaz.
Desde então, ele nunca mais parou, acreditando nos efeitos terapêuticos
da música sobre a cura de doenças.
“Com a profissão, vou levar o dom que Deus me deu para alegrar os pacientes”
, afirma. Além de tocar, cantar e compor músicas, o cirurgião,
que é evangélico, coloca sempre a fé acima de tudo: “se você crê, é curado”, diz.
Dr Feijão diz que, mesmo em pacientes graves,
a musicoterapia produz efeitos,
porque o último dos sentidos a se perder é a audição.
Mas, segundo ele, só cantar e tocar não basta: “tem que acreditar, ter fé”.
No setor de pediatria, ele também observa bons resultados no processo
de cura das crianças.
Ele diz que os meninos e meninas começam
a acompanhar o ritmo das músicas que toca e,
por um instante, podem esquecer a dor e parar de chorar.
Se por um lado Dr Feijão acredita que a fé tem operado milagres no hospital,
por outro, ele explica os efeitos da musicoterapia biologicamente.
, Ele vem observando, desde que começou esse trabalho,
a melhora mais rápida dos pacientes. Segundo ele,
“a música é importante porque mexe com a endorfina,
o hormônio da alegria, da longevidade. Ela elimina o estresse,
a ansiedade, o medo e consegue colocar um sorriso no rosto de uma pessoa”.
Dr Feijão afirma que o trabalho dos profissionais da saúde não se resume
a tratamentos e remédios.
Para ele, o contato físico, ou mesmo um simples gesto,
pode aliviar o sofrimento das pessoas internadas.
“O paciente quer que você toque nele, que você mostre que é igual a ele.
É muito difícil receber um abraço.
O abraço transmite energia e amor, é muito diferente de um aperto de mão”,
diz o cirurgião dentista.
Dr Feijão costuma dizer que “o amor é o maior antibiótico do mundo”.
Para ele, trata-se de um remédio sem efeitos colaterais,
capaz de fazer o paciente esquecer a dor por uns instantes
e de colocar um sorriso no rosto daqueles que, pela doença,
esqueceram a alegria de viver. Formado em Odontologia pela UFRN
e especialista em cirurgia bucomaxilofacial,
Dr Feijão trabalha há mais de dez anos no Hospital Walfredo Gurgel.
Além da profissão, o cirurgião tem na música uma paixão ainda mais antiga.
Ele começou a tocar violão aos dez anos de idade, influenciado pela mãe,
que era compositora.
,Ao longo dos anos, foi se dedicando cada vez mais à atividade,
tendo participado da gravação de 14 cds ao lado de artistas potiguares.
Ele começou a estudar pandeiro em 1993,
e foi sobre esse instrumento que Dr Feijão escreveu seu primeiro livro,
“ABC do Pandeiro”, uma produção independente que se transformou na primeira
obra brasileira a tratar do método de tocar o instrumento.
Sobre o pandeiro,
Dr Feijão também lançou o site www.drfeijaonopandeiro.med .br.
traz um pouco do trabalho de musicoterapia desenvolvido por eles nos hospitais.
Em agosto desde ano, Dr Feijão lançará mais um livro,
desta vez falando sobre a humanização no atendimento.
“A Cura pelo Amor” vai relatar testemunhos sobre
os oito anos em que vem trazendo a musicoterapia ao Hospital Walfredo Gurgel.
Dr Feijão selecionou, para o livro, 10 casos de pacientes que,
segundo ele, atingiram a cura pelo amor.
O cirurgião também tem planos de lançar um novo site no próximo mês,
tratando especificamente dos benefícios da musicoterapia.
Com isso, ele pretende “motivar outros profissionais a deixarem o
prontuário um pouco de lado e ficarem mais próximos dos pacientes”.
Dessa forma,
Dr Feijão pode difundir os efeitos daquele que considera
o maior antibiótico do mundo: o amor. ARTIGO LIANE MOTTA
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