OS SEUS CHIFRES
| Maria Regina Canhos Vicentin * | ||
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Onde colocamos nossos chifres? Zezinho havia acabado de jogar uma oração de Santo Expedito dentro do vaso sanitário quando a mãe deu conta da situação e o repreendeu, dizendo que não se devia fazer isso com “santinhos”. Rapidamente, o menino pegou a oração, enxugou-a, e saiu do banheiro correndo. Ela mal teve tempo de voltar à sala. Zezinho retornou dizendo que aquele não era um santinho, mostrando a figura que agora contava com um par de chifres desenhados à caneta. A mãe ficou sem reação por um momento. Depois sorriu e disse: Como você é esperto, Zezinho! Resolveu seu problema em apenas um minuto. Sim, Zezinho havia resolvido seu problema de consciência, mas a mãe ficou pensando por muito tempo no ocorrido. Como foi fácil transformar uma má atitude num fato justificável. Não é isso que fazemos constantemente? Sendo grosseiros com alguém, logo pensamos que aquela pessoa é chata mesmo e, assim, até que mereceu o tratamento que teve. Quando se mata um bandido, a sensação é de alívio, afinal, é um mau-elemento a menos. Mas o crime continua sendo o mesmo, não importa quem morra. A grosseria aconteceu independentemente de quem atingiu. Precisamos parar de nos desculpar pelos erros que cometemos distorcendo as coisas. A reflexão deve preceder o ato, e não servir apenas para justificá-lo posteriormente. Quando se cresce assim, os valores costumam ter pouca importância. A visão é individualista, a postura egocêntrica. Os atos deixam de ser avaliados indistintamente, pois existem sempre dois pesos e duas medidas. Isso é muito grave, principalmente levando-se em conta os rumos que a educação familiar vem tomando. Esse “não saber” assumir erros está comprometendo toda uma gama de relacionamentos afetivos, sociais e profissionais. Até quando vamos ser crianças grandes? Até quando vamos justificar nossos erros jogando a culpa em cima das outras pessoas com as quais nos relacionamos? Precisamos amadurecer nossas condutas e assumir uma postura mais verdadeira diante dos erros e acertos da vida. Já diz o ditado: “Errar é humano, permanecer no erro é burrice”. Então, que tal trabalharmos para fortalecer nossa auto-estima e nos preparar para assumir nossas fraquezas? Fazendo dessa forma, passaremos a delimitar claramente no que acreditamos e o porquê lutamos. Não precisaremos colocar chifres nas cabeças dos outros para justificar nossas condutas inadequadas, e poderemos ver cada qual com a sua bondade e maldade peculiar, sem aumentar ou diminuir. Quem sabe assim poderemos até olhar para dentro de nós mesmos, e encarar a nossa própria maldade. * Psicóloga e escritora (e.mail: mrghtin@jau.flash.tv.br). Conheça o site da autora: www.meguia.net/buscandoafelicidade |
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